Eu sempre tive uma vida solitária, poucos amigos, poucos sorrisos. Houveram vezes em que apenas meu querido café e as páginas dos livros eram minha companhia, mas mesmo assim me mantive em pé. Nessa vida solitária passei por inúmeros altos e baixos, como e uma montanha russa desgovernada até uma simples e calma subida na colina para apreciar o nascer do sol, hora subida calma, hora descida revolta. Momentos em que simples e inocentes palavras obtinham inúmeros significados e as burrice era quem dominava os pensamentos. Uma vida solitária, um túnel que no fim das contas tinha um pequeno pingo de luz lá no horizonte, horizonte esses que aos pouco alcancei e quando me dei conta não estava mais só.
Essa parte da minha vida chama-se amadurecimento, e então passei a ver o quão importante é ter pessoas ao nosso lado. Dei valor e recebi valores, isso foi bom. E então, uma palavrinha que eu conhecia mais das revistas e da TV, das séries e de toda a bobagem que faz agente perder tempo na vida começou a fazer sentido, a simples e mais complexa amizade. Fiz amigos, na verdade não, não os fiz, eles apenas surgiram como um lapso de esperança e ânimo, onde as conversas sozinho no meu quarto, questionamentos e questões dos livros ficaram no passado, afinal agora tinha quem me ouvisse. Enfim, fiz amigos, na verdade não fiz amigos, fiz mais que amigos, foram os poucos que realmente valeram apena. Fiz irmãos, infelizmente não de sangue mas é como se fossem. Caras e Garotas com quem dividi os melhores momentos da minha vida, desde simples piadas antigas que ganhavam um novo sentido até as lágrima que rolam do nosso rosto pelas máguas cotidianas. Com quem dividimos os lanches quando um deles não levou dinheiro pra escola, com quem aprendemos que um garrafa de bebida é perigosa e causa sérios danos. Com os quais lá de vez enquando chamamos a galera, pegamos a estrada e vamos pra praia, parando em degrais de escada ao amanhacer só pra ver o sol tocar o mar, com latinhas de refrigerante nas mãos e um música que se encaixa perfeitamente no momento. Amigos, lado a lado na cidade ou na praia, nas entrigas ou nas festas, não só amigos, mas como eu disse, irmãos . Essas são umas das memórias que misturei no café dessa noite.
Mas o incrível mesmo, é o que chaplin disse, que "cada pessoa que passa em nossa vida passa sozinha e não nos deixa só porque deixa um pouco de si e leva um pouquinho de nós", é isso que ocorreu em minha vida, e hoje, pra ser sincero é com lágrimas nos olhos que escrevo pela despedida de alguns amigos, que passaram sozinhos mas não vão só, e nem nos deixaram sozinhos, porque levaram um pouco de mim assim como deixaram um pouco de si, experiências, risos, choros e desavenças ficam, mas na verdade o que vai valer a pena no final das contas são os comprimentos e as despedidas, porque entre as duas nós crescemos, trocamos informações e pedaços que no fim montam esse imenso e injusto quebra-cabeça, que leva boas pessoas pra longe de nós, que se chama vida.
Saibam que sempre estarei torcendo por vocês, porque vocês me ensinaram isso companheiros, que a distância e a amizade se completam, que são duas faces da mesma moeda e não coisas distintas, e é nisso que acredito hoje.
A vocês e a todos que chegaram até aqui depois de toda a melosidade do texto o meu muito obrigado.
Abraços e mais do que nunca fiquem bem, Por Saymon Diego.

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